12 de jan de 2009

Prefeito em Pernambuco é acusado de trocar voto por combustível

FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Sairé (PE)

Os indícios de fraudes detectados pela Controladoria Geral da União na Prefeitura de Sairé (a 141 km de Recife) em 2006 e 2007 não impediram a reeleição do prefeito Everaldo Dias de Arruda (PTB) nem evitaram o envolvimento do seu nome em novas suspeitas de irregularidades na campanha eleitoral.

Segundo moradores da cidade, houve distribuição de combustível nas carreatas e recolhimento de cópias de documentos de pessoas interessadas em ganhar lotes supostamente oferecidos por Arruda para construir casas populares.

O cadastramento, afirmam, foi feito no bar de um irmão do prefeito, o presidente da Câmara Municipal de Sairé, José Dias de Arruda (PT), a dois meses da eleição. Ele negou qualquer irregularidade, mas confirmou que a família pensa em doar terra aos pobres.

O agricultor Genival Barbosa da Silva, 36, disse que foi um dos cadastrados. Agora, quer a sua gleba. "Ele prometeu que daria o chão, mas, depois da eleição, não falou mais no assunto." O também agricultor Francisco Cleominis da Silva, 26, disse que, além da promessa de terra, recebeu proposta de emprego e combustível para participar das carreatas. "Quando tinha comício, formava fila no posto", contou.

A aquisição de combustível pela prefeitura em quantidade incompatível com a frota oficial foi um dos indícios de fraudes constatados. Segundo a CGU, há "potencial dano de R$ 37.544,65 ao erário público".

Ex-secretário de Educação e Ação Social de Sairé entre 2006 e 2008, o presidente do diretório municipal do PT, Severino Ferreira de Lima, 46, disse que foi ouvido pelos auditores, mas não conseguiu explicar algumas despesas, por não ter autonomia sobre os gastos dos órgãos que geriu. Lima confirmou que havia indícios de incompatibilidade entre o consumo de combustível e a frota e declarou que alguns contratos de merenda escolar indicavam a compra de produtos de qualidade superior à entregue nas escolas.

O petista deixou a prefeitura em junho de 2008, segundo ele, por discordar dos métodos da administração. O PT é aliado ao prefeito na cidade, mas o dirigente abriu dissidência e se tornou adversário de Arruda.

Lima está hoje ao lado dos vereadores do PDT, que acusam a prefeitura de esconder uma suposta folha de pagamento avulsa, quitada semanalmente às sextas-feiras.

A existência do benefício não foi confirmada. Mas a "terra da laranja", como se autointitula Sairé, produziu ao menos um "laranja" na sua folha de pagamento, o aposentado rural Caetano Murilo da Silva, 68.

Ao tentar fazer um cartão de crédito, ele descobriu documentos que mostram o pagamento, ao longo de meses, de quantias que somam cerca de R$ 20 mil pela prefeitura, por supostos serviços prestados. "Foi alguma xavecada que fizeram lá dentro", disse o aposentado, que ganha salário mínimo. "Eu não recebi nada."

Outro lado

O presidente da Câmara Municipal de Sairé, José Dias de Arruda (PT), irmão do prefeito reeleito, disse ter "certeza" de que a investigação da CGU nas contas da prefeitura "não vai dar em nada". Afirmou ainda que os vereadores aliados --maioria na Casa-- também não investigarão os indícios de fraude detectados pelo órgão.

"Acho que aquelas denúncias foram meio fajutas", disse. Para o petista, as investigações da CGU têm conotação eleitoral.

Segundo o vereador, o prefeito e seus aliados não se envolveram em irregularidades na campanha e seguiram os procedimentos exigidos pela Justiça. "Não usamos nada da máquina administrativa." O prefeito não foi localizado pela reportagem.

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