13 de jan de 2009

"Ele pegou o governo de Neguinho"
Entrevista: Tony Gel (DEM) "Vereador de Caruaru"

Vereador de Caruaru mais votado nas eleições 2008, quando obteve 8.628 votos, o ex-prefeito Tony Gel (DEM) afirma que fará uma oposição “propositiva” na Câmara, mas põe lenha na fogueira ao afirmar, nesta entrevista ao Blog da Folha, que não deixou “herança maldita” para o atual prefeito José Queiroz (PDT). Segundo ele, o pedetista pegou o governo do ex-prefeito Manoel Teixeira, o Neguinho Teixeira (PSDC), que ficou no cargo por nove meses. Gel também não poupa críticas ao vice-governador João Lyra Neto (PDT) e prevê que o governador Eduardo Campos (PSB) ainda se arrependerá por tê-lo colocado na Secretaria da Saúde.


Como será a sua atuação frente à Câmara de Vereadores?
Tenho uma experiência de dez anos de Congresso Nacional e quero crer que não haverá nenhuma dificuldade pra mim. É um reexercício do parlamento, e a Câmara de Vereadores de Caruaru, com essa nova legislatura, fará um bom trabalho. Primeiro, para recuperar a imagem da Casa, que está muito desgastada. Liderando a oposição, é claro que nós vamos fazer o trabalho natural de fiscalização e de cobrança, mas também uma oposição propositiva. No meu governo, como prefeito, tive um relacionamento muito bom com a Câmara. Não foram poucos os vereadores que afirmaram e reafirmaram que, na história de Caruaru, nenhum outro prefeito havia se relacionado tão bem com o Legislativo como eu. Espero que agora o Executivo trate a Câmara com respeito e que a própria Câmara possa se impor enquanto Poder Legislativo.

Qual a sua expectativa para a gestão iniciada pelo prefeito José Queiroz?
Eu tenho uma expectativa de que ele cumpra todas as promessas de campanha. Ele fez inúmeras promessas e obviamente devia estar lastreado para poder fazer as promessas que fez, tendo em vista que tem o Governo do Estado com o qual ele se relaciona bem, são afins com o Governo Federal e fez baseado, talvez, nas promessas que esses governos fizeram de que poderiam ajudar Caruaru. Espero que essas promessas sejam cumpridas.

José Queiroz está prestes a denunciar à imprensa a “herança maldita” encontrada na Prefeitura. Está sabendo disso?
Não estou sabendo de nada... Do meu governo ele não pegou herança maldita, até porque não fui eu que passei o governo para ele. Ele pegou o governo de Neguinho Teixeira. Saí da Prefeitura com as contas todas em dia e sem dívida alguma.

Algumas medidas de José Queiroz vêm sendo consideradas polêmicas, como as mudanças previstas para a Feira da Sulanca.
Na verdade, eu sinto que se eles pudessem eles tirariam a feira e levariam para o lado norte da cidade. Entretanto, o prefeito sabe que isso não é uma coisa muito fácil, tendo em vista que no entorno da feira há um comércio estabelecido e que é contra a retirada. A Feira da Sulanca nunca deveria ter ido para onde está, mas hoje para retirá-la não é uma coisa fácil porque mexe com inúmeros interesses. No entanto, há essa vontade incubada desse governo que se instalou. Há empresários que são ligados ao governo que têm o maior interesse que isso aconteça porque serão diretamente beneficiados porque especulam muito com a área, terrenos... Isso é uma realidade, mas vamos aguardar as decisões que serão tomadas pelo governo municipal.

Ao tomar posse, José Queiroz disse em discurso que é preciso “acabar com os maus hábitos na Prefeitura de Caruaru”. O senhor acredita que o recado era para o senhor ou para Neguinho Teixeira?
Talvez fosse para eles mesmos, que passaram 18 anos na Prefeitura. Por mais que eu tivesse lutado, não consegui eliminar os maus hábitos que encontrei, e muitos ainda continuam, mas são hábitos deixados por eles mesmos. Quem sabe eles não corrigem agora. Quando se passa 18 anos no governo, como eles passaram, muita coisa vai se acomodando em vários setores. Funcionários que estão lá efetivos e não cumprem com suas obrigações. Havia erros, defeitos e desonestidade para todos os lados. Havia pessoas que guiavam máquinas da Prefeitura e roubavam pneus, combustível... Muita coisa tive que combater. Na Feira da Sulanca até motel eu encontrei por R$ 1,00.
O senhor foi visto no dia da posse saindo pela porta dos fundos da Câmara para não dar de cara com José Queiroz...
A Câmara tem duas entradas e acesso também por trás. Evidentemente que a festa não era minha. A festa ali era dos meus adversários. Nas duas oportunidades em que eu fui empossado, na Câmara de Vereadores, vários parlamentares da oposição não ficaram para assistir. Ninguém é obrigado a ficar até porque meus adversários montaram lá umas três claques formadas por pessoas despreparadas, pobres coitadas ignorantes, que foram para lá pagas ou não para me vaiar.

O DEM em Pernambuco tem encontrado dificuldade para encontrar o seu espaço como oposição, após sofrer derrotas consecutivas?
Ser oposição neste País não é uma coisa fácil não. A prática é muito promíscua. Muda o governo e daqui a pouco muitos aderem e os partidos murcham e outros incham. Isso tem acontecido costumeiramente e é um ciclo vicioso na nossa política aqui em Pernambuco e no Brasil. Só tive um lado político até hoje e me mantenho. O Democratas tem excelentes quadros e pode se fortalecer. Não sofremos nenhum problema nesse sentido, nenhum problema existencial. Temos diretrizes e programa definido. Mais cedo ou mais tarde nós estaremos novamente no poder. É só perseverar.

Esse fortalecimento do DEM passaria pela reedição da União por Pernambuco (PMDB/DEM/ PSDB), e quem seria capaz de vencer para governador?
Acho que também. Todo o partido busca o poder. Entendo que nossos líderes maiores, Marco Maciel, Jarbas Vasconcelos, Sérgio Guerra, Mendonça Filho têm que citar e tem que definir (nome para 2010). Eduardo Campos é governador hoje, mas o partido dele não tinha mais do que 15 prefeitos no Estado todo. Quero crer que daqui a um ano e meio nós estaremos numa situação relativamente privilegiada. Vejo Jarbas, Sérgio Guerra... Sérgio porque está concluindo o mandato de senador. Jarbas é porque o pessoal o vê numa posição mais confortável, porque tem mais quatro anos no Senado. Tem Marco Maciel também, que é um nome que não pode ser deixado de lado. Até mesmo Roberto Magalhães ou Mendonça Filho.

Qual a avaliação que o senhor faz dos anos do Governo Eduardo Campos?
O governador tem se esforçado, evidentemente, tem se articulado e dado sorte no relacionamento com o presidente Lula. O presidente gosta dele e isso favorece. Entretanto, por mais que ele tenha se esforçado, por mais que tenha tentado, não tem logrado êxito em algumas áreas. Primeiro colocou uma pessoa (o vice-governador João Lyra Neto) para cuidar agora da Saúde, que nem entende do que está fazendo e ainda tem um rei na barriga e não quer atender aos movimentos dos médicos, insensível para a coisa. Zero de competência para essa questão. É um descaso total com arrogância e prepotência. Veja o exemplo da hemodiálise em Caruaru, de que os médicos pretendem deixar o hospital e é um problema seríssimo. A hemodiálise pública na cidade está em dificuldades. Os médicos deixando e outros vão deixar, e as pessoas são levadas para clínicas particulares. Esses locais não estão preparados para receber um grande número de pacientes. Que providências o secretário está tomando? Eu diria o seguinte: se o governador ainda não se arrependeu, logo irá se arrepender por ter indicado o vice-governador para cuidar da Saúde. A coisa é de pior a pior e não vejo o secretário com boa vontade para resolver essas questões. O vice-governador deveria entregar o cargo.

Por Valdecarlos Alves
Do Blog da Folha

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